Perguntas frequentes sobre o joanete

O que é o joanete?
O joanete, tecnicamente chamado de hallux valgus, é uma proeminência na face interna do pé, que ocorre devido a um desvio do dedo maior em direção aos dedos menores. A proeminência ocorre pelo desvio do primeiro metatarso e não é um osso que cresce, como muitos pensam. A dor é inicialmente provocada pelo atrito com o calçado, levando a inflamação e inchaço na região (bursite), mas também é ocasionada pelas alterações biomecânicas decorrentes da deformidade.

Qual é a causa?
Existe um componente hereditário importante no surgimento do joanete, mas provavelmente, a principal causa seja o uso de calçados inadequados. Em pacientes que têm joanete desde a infância, o fator hereditário certamente tem um papel maior. Já nos casos de surgimento mais tardio, o calçado geralmente pode ser considerado o maior culpado. O fato de o joanete ser muito mais prevalente em mulheres é uma evidência do papel do sapato no desenvolvimento da deformidade.

Como posso prevenir?
Não podemos mudar a nossa predisposição genética, mas podemos decidir que tipo de calçado vamos usar. O uso de sapatos de salto alto e bico fino é muito prejudicial aos pés por diversas razões, e é considerado o principal fator causador dos joanetes. Portanto, a prevenção deste problema baseia-se no uso de sapatos mais baixos e espaçosos na parte da frente.

Qual é o tratamento?
Sabe-se que os sintomas do joanete são decorrentes principalmente do atrito com o calçado e dependem muito do grau de atividade do indivíduo. Há pacientes com joanetes pequenos e muita dor, e outros, com deformidades grandes e pouca dor. Portanto, existem basicamente duas formas de tratar um pé com joanete: usar um calçado mais largo ou modificar a forma do pé, o que só é possível cirurgicamente.

Como é a cirurgia?
Existem muitas técnicas diferentes para tratar o joanete (mais de 150!), dependendo do grau de deformidade, características anatômicas, presença de artrose (desgaste na articulação) e perfil do paciente, entre outros fatores. A correção da deformidade é obtida através de osteotomias (cortes no osso), bem como liberações e retensionamentos de tecidos moles (ligamentos e tendões).  O tipo de osteotomia e a forma de fixação (parafusos ou pinos) variam de acordo com a técnica empregada. O cirurgião que se propõe a operar o joanete deve ter conhecimento de diferentes técnicas cirúrgicas e avaliar cuidadosamente o paciente para indicar o melhor procedimento para cada caso. Obviamente, não existe uma única técnica que seja adequada para todos os casos.

Posso operar os dois pés juntos?
Os estudos e a prática clínica mostram que, na grande maioria dos casos, é seguro operar os dois pés juntos em pacientes com joanete bilateral.

Como é a anestesia?
A cirurgia é feita com anestesia local e sedação, proporcionando maior segurança e conforto ao paciente, em comparação com a anestesia geral ou na coluna. É feita sempre pelo médico anestesista, que monitora e assiste o paciente durante todo o procedimento.

Como é o pós-operatório?
O paciente recebe alta hospitalar no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia, com prescrição de analgésicos. A dor do pós-operatório costuma ser de leve a moderada, sendo bem controlada com a medicação. O paciente geralmente utiliza um sapato especial que permite o apoio já no primeiro dia, mesmo quando os dois pés foram operados juntos. Deverá retornar ao consultório para curativos semanalmente nas primeiras 3 semanas e iniciar exercícios já na segunda semana. Após 30 a 40 dias, o paciente é liberado para usar calçados baixos e confortáveis. O retorno ao trabalho depende muito do tipo de atividade pretendida, e ocorre, geralmente entre 2 e 8 semanas após a cirurgia.  Atividades físicas de impacto e uso de salto alto são permitidos após 3 a 4 meses.

O joanete pode voltar?
É muito raro. O avanço das técnicas cirúrgicas, instrumentais, entendimento da patologia e a qualificação técnica dos cirurgiões de pé permitiu uma melhora substancial nos resultados da cirurgia de joanete nos últimos anos. Portanto, desde que a cirurgia seja bem indicada e bem realizada, que não haja complicações e que o paciente siga estritamente as orientações do pós-operatório, não há motivo para se preocupar.