A fascite plantar

O que é?
A fascite plantar é uma inflamação que ocorre na fáscia plantar. A fáscia plantar é uma espécie de ligamento em forma de fita, que vai do calcanhar até os dedos percorrendo a planta do pé, e é uma das estruturas que mantêm o arco plantar. A fascite ocorre, geralmente, na inserção da fáscia plantar junto ao osso do calcâneo, mas pode ocorrer em qualquer ponto da fáscia. A inflamação se cronifica levando a degeneração do tecido e micro-rupturas, que estimulam a inflamação e a dor.  A boa notícia é que este ciclo tende a ser auto-limitado e o quadro se resolve em até 1 ano, na maioria dos casos.

Qual é a causa?
Diversos fatores estão associados com a fascite plantar, sendo que quase sempre há algum tipo de sobrecarga, seja aguda ou crônica.  O risco é  particularmente elevado para fascite plantar em corredores, pacientes com sobrepeso, pessoas que passam muito tempo em pé, mulheres que usam rasteirinhas ou sapatilhas, entre outros.

E o esporão de calcâneo?
O esporão é uma calcificação junto à inserção do músculo flexor curto do hallux na face plantar do calcâneo, e não na inserção da fáscia plantar; portanto, não tem relação com a fascite plantar.

Como se diagnostica a fascite plantar?
O diagnóstico é eminentemente clínico, não necessitando, na maioria das vezes, de exames de imagem. Entretanto, existem diversas outras patologias que causam dores semelhantes, por isso é importante um diagnóstico e acompanhamento médico.

Como se trata?
O tratamento da fascite plantar inclui diversas medidas, com o objetivo de diminuir a sobrecarga e promover condições para a cicatrização. Mesmo com tratamento adequado, os sintomas costumam demorar meses para desaparecer.

A fisioterapia tem papel fundamental, com destaque para os alongamentos e terapia manual.

O uso da tala noturna é particularmente útil para aqueles que têm muita dor ao sair da cama.

O uso de salto (4 a 5 cm), em mulheres, é uma boa forma de diminuir a sobrecarga, mas deve ser acompanhado de um programa de alongamentos para evitar maior encurtamento da fáscia plantar e da panturrilha.

Os anti-inflamatórios têm uso restrito, sendo úteis para alívio temporário dos sintomas.

As palmilhas podem ajudar, particularmente em pacientes que têm alterações no alinhamento do pé.

A infiltração caiu em desuso há algum tempo, devido aos riscos de ruptura da fáscia e atrofia da gordura plantar, situações que tornariam o quadro ainda mais complicado.

As ondas de choque podem ser utilizadas em pacientes que não apresentam melhora após, no mínimo, 6 meses de tratamento adequado. Seu uso carece de evidências científicas adequadas.

A cirurgia fica reservada aos raríssimos casos em que o paciente não apresenta melhora após 1 ano de tratamento adequado e seus resultados não são superiores ao tratamento clínico. É para casos de exceção.